Chá de Sachê #01 | GASLIGHTING: Será que eu estou ficando louca?

LAYOUT-CULTURAForam longos 3 anos. O último deles, insuportável. A agressão nem sempre vem em um tapa, ou talvez de um empurrão. É muito necessário que seja observado como andam manuseando seu psicológico.

“Tu estás maluca…” ; “Já não te aguento mais!” ; “Você nunca foi chorona e agora ninguém te suporta.” ; “Vai fazer tempestade por uma bobagem dessa?”; “Desculpa amor, não queria te machucar. Fiz porque tu andas me enlouquecendo e precisas de tratamento”…

Eram infinitas as maneiras de ser o inocente pelos próprios erros e jogar a culpa em mim por ver problema onde justamente havia. Eu estava sendo vítima de um relacionamento abusivo.

Minhas idéias, opiniões, minhas frustações, meus medos, tudo causado por um comportamento extremamente descompromissado dele, em minutos de meias palavras, tornava-se “mimimi” e motivo para que eu pedisse desculpas por estar magoada por ele ter me ferido. Era um talento nato em conseguir manipular minhas questões e fazer com que as provas mais claras que eu tinha nas minhas mãos virassem apenas motivos para que eu me convencesse que eu era paranoica. Enquanto eu tinha as fotos, as conversas, arquivos, mensagens e tantas outras formas que diziam literalmente o que estava acontecendo, ele negava tudo dizendo que eu estava me auto sabotando. Eu ouvia repetidamente que deveria me tratar, que eu deveria ser grata por ele me aguentar e que era a maior prova de amor que ele poderia me dar; estar comigo.

Era Gaslighting.

O incrível poder que ele mantinha nas mãos de me fazer duvidar de minhas próprias e maiores certezas, e me julgar culpada por ele ser nocivo para mim. Eu que estragava tudo — na minha cabecinha manipulada. Três anos, um divórcio e uma mochila nas costas com os móveis encaixotados. Demorou muito, mas percebi que eu era uma marionete.

A manipulação psicológica é uma das agressões mais cruéis que as mulheres sofrem diariamente, em seus namoros, noivados, casamentos, e até nos casinhos de fim de semana; ou vai dizer que não lembra do carinha que te jogou culpa por você “ter se apegado demais” e não conseguir respeitar “o espaço dele” de querer apenas brincar. Brincar com você, né? Querida.

Não vamos restringir ao gênero, isso acontece em relacionamentos de sexos diferentes ou de ambos do mesmo sexo, e de ambos os lados, ou de um para o outro, sem definir pontos de partida. Contei o que aconteceu comigo. Você pode ter algo semelhante para contar.

Aquela festa que não te deixaram ir, aquele show que “pegava mal” você ir sozinha, aquela “só mais uma cerveja antes de ir” no dia do aniversário da sua mãe, aquele grito por conta de um celular que descarregou e que você ouviu calada e pediu desculpas. Também podemos falar daquele tempo que pediram para você esperar, se quisesse… “senão for por esperar, será por não ser, tenha paciência com meu jeito…”. Em qualquer dos casos, defenda sua cabecinha, em primeiro lugar. Não há relacionamento que valha até o ponto de fazer você se desfazer de suas reflexões. Você não está ficando louca. Loucura é acreditar que deve se calar porque um outro indivíduo te julga merecedora de postura coadjuvante na tua própria vida. Miga, procure uma ajuda, e corra para longe. Não se engane com medo de perder. Tem coisa que não perdemos, apenas nos ganhamos em troca. E não há ninguém mais merecedor de ganhar você por inteira do que você mesma.



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