Chá de Sachê #03 | Entre a ganância e a lucidez, escolha ser feliz

Eis que comer banana deixou de ser algo simples e mais uma vez, criei uma complexidade para impelir nas coisas que provavelmente você faz sem dar muita relevância.
Era uma noite dessas de TPM onde a fome é certa, a cólica é sua inimiga e a balança é aquela tia velha que você ignora a existência para não dar margem para pedidos incomodantes; o “instala o google no meu notebook” clássico.
Comi uma, duas, outras mais bananas vendo seriado. Até que… A última!
Eu queria que ainda me restassem umas 6 bananas pela frente mas esta era a derradeira e isso me deixou ansiosa. Estrategista que sou, comi lentamente cada pedaço, fingindo que a mesma acabara a cada mordida e as próximas eram bônus da vida. Só forjando muito para ter esse tipo de premiação da vida. (risos)
Como uma iludida prestes ao fracasso, o último pedaço foi puxadinho da casca com os dentes, como sempre fazemos por contarmos que o talinho parte sempre na altura correta. DESTA VEZ NÃO ROLOU.
A banana partiu um pouco acima do talinho, e ainda restava banana comestível na casca.
O que fiz?
De maneira inteligentíssima, fui morder o restante para aproveitar tudinho.
Que ideia bosta. Sério!!!!
Amargou como nunca tinha amargado na minha boca. Era um travoso que me deixou por segundos balançando a cabeça em sinal de reprovação a mim mesma.
PUUUUUUFFFFF… Quem nunca?
Quem nunca tentou aproveitar tanto algo que não respeitou a sorte e se deu mal no fim?
Os limites estreitos entre ganância e lucidez.
Levei isso mais adiante e te convido a fazer o mesmo. Ora, veja ao seu redor!
São pessoas infelizes com suas situações, desde o que nada tem até o que já tem tanto que tira dos outros por esporte. São espíritos que não se comportam com o que a vida oferece em situação nenhuma e acabam por estragar as experiências das coisas por traumas de seus excessos, negando a culpa do exagero, recuando do fado de aprender com as besteiras que comete.
O amar demais anda coladinho com tentar comer a banana inteira que sozinha já havia me sinalizado de sua particular limitação.
Olhar como todos ao redor se comportam, “partindo no talinho”, dando tudo de si por parceiros, seja no cinema, livros, músicas ou falsas felicidades plenas das redes online, gerou uma cobrança de medir até onde pessoas diferentes devem demonstrar que nos amam.
Um comportamento padrão é requerido, palavras em situações que se repetem, se plagiam entre as pessoas como uma falta de personalidade e principalmente, falta de respeito ao significado real de que “cada um escreve seu caminho”.
A ganância de querer aquele amor que o outro vive nos leva a minimizar situações não padronizadas de carinho, nos deixa cada vez mais carentes, ansiosos por resultados que nem sempre significam o sucesso.
Nunca estamos satisfeitos com nossos pares. Parece que se pegarmos as qualidades de todo mundo que já tivemos na vida, somar, ainda não restará a pessoa ideal que procuramos.
Vamos parar,  não?
É um photoshop da ganância que se veste de esperteza para pegar os inconformados com suas oportunidades de realização.
Temos chances diárias de acordarmos melhor, comprar travesseiros melhores, pararmos com cafeína em nosso cérebro, gasolina aditivada nos motores de nossos veículos, gases tóxicos em nossos pulmões e abraços vazios.
Todos os dias, respiramos a real oportunidade de pegarmos o nada que possuímos e criar em um vazio positivo que nos motive a preenchê-lo ao invés de desperdiçar energias com lamentações.
Ver selfies dos outros pode ser divertido, falar em chats é contagiante, ouvir música nos teletransporta mas… e se olhássemos mais para espelhos, sozinhos, meditando alguns minutos sobre nossa conversa com nós mesmos e porventura ouvirmos nossa própria vibração ao respirar.
Temos sangue na veia e podemos aceitar a felicidade do presente, sem estragar tudo por exageros de querer comer a banana até o fim.
Não há nada de errado em ter vontade de seguir sempre em frente, apenas pense bem antes de cada passo – a hora de sorrir pode chegar e você nem perceber porque só consegue notar as suas expectativas no futuro.Viva. Agora mesmo.

Love, S.



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