Crítica | A Bruxa

Você deseja viver deliciosamente? – Black Phillip

Com uma campanha de marketing pesada e sendo citado como assustador até por mestres do gênero (como Stephen King), A Bruxa é um filme divisor de águas. Situado no ano de 1630, na Nova Inglaterra, a película conta a história de Thomassin e sua família que, exilados de sua vila, passam a viver sozinhos à beira de uma floresta. A partir daí, problemas começam a surgir, como o desaparecimento do filho mais novo, a morte da plantação e o surgimento de animais suspeitos.

O grande triunfo do filme é criar seu clima tenso a partir das primeiras cenas. Os personagens sendo expulsos do povoado por sua visão “diferente” do cristianismo denota o fanatismo religioso da família. Orações e súplicas são feitas por toda a trama, de modo que a ambientação do filme se torne pesada a cada olhar “torto” dos atores. O grande destaque pode ser dado aos pais da família, Willian (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie), que demonstram a cada cena o efeito de suas grandes convicções cristãs.

É válido, também, comentar sobre o impacto dos acontecimentos em cadeia do filme. A partir do momento em que o filme foca no grande “estopim” da trama, começamos a ver os conflitos internos da família. Acusações, castigos, mentiras, omissões… tudo contribuindo para o suspense que o diretor sabe conduzir com louvor.

Porém, o grande problema da obra não se deve a ela em si, mas sim ao marketing que tenta vender o filme como uma “revolução do terror”. Por mais que o mercado esteja saturado de longas que focam em clichês e “jumpscares”, A Bruxa não pode ser tratado como um filme de terror. O thriller é suspense do início ao fim, e isso pode ser observado tanto no estilo de filmagem quanto na trilha sonora.

E falando em trilha sonora, esse é o ponto de maior destaque na trama. Todo o clima de tensão, de suspense, do inesperado, de tornar o filme até incômodo (no bom sentido, claro) se deve ao trabalho de Mark Korven (que já trabalhou no cult O Cubo, de 1997). O bom uso do som, da música, dá quase todo o poder ao filme, sendo a sua marca registrada.

O final do filme chega a ser “previsível” a partir dos atos finais. Porém, ao ver como o mesmo é desenvolvido, e ao sabermos que a obra é baseada em relatos e achados históricos, é a cereja no bolo que o espectador precisava para adicionar a tensão no filme. A Bruxa acaba sendo para poucos, classificado como um filme que você ama ou odeia. Deve ser assistido de mente aberta, tendo a certeza que não se segue a fórmula de sustos baratos ou de assassinos bizarros, apenas se apoiando em forças da natureza que estão muito acima do entendimento comum.

Até porque, “o mal está na floresta”, e o mesmo assume muitas formas…

Por P.H. Lopes.

104310.jpg-c_520_690_x-f_jpg-q_x-xxyxxFicha Técnica

Título Original: The Witch – A New England Folktale
Lançamento:
2015 (2016 no Brasil)
Duração:
1h 33m
Direção:
Robert Eggers
Roteiro:
Robert Eggers
Distribuição:
Universal Pictures

 



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